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Situação difícil: articulação com Calheiros pode dar sobrevida a Dilma

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Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

O último domingo (17), com a aprovação do processo de impeachment na Câmara dos Deputados, reservou à presidente Dilma Rousseff (PT) um baque difícil de superar. Dilma é acusada de cometer crime de responsabilidade por conta das chamadas pedaladas fiscais — manobras nas quais o governo atrasa o pagamento de empréstimos a bancos e autarquias, o que alivia, momentaneamente, as contas públicas — e dos decretos que aumentaram gastos sem a autorização prévia do Congresso.

Em pronunciamento na segunda (18), Dilma disse se sentir “injustiçada”. Ainda de acordo com a petista, as pedaladas foram adotadas também pelos ex-presidentes Lula e Fernando Henrique Cardoso — embora em escala bem menor. “Não há crime de responsabilidade. Foram consideradas legais. Quando me sinto indignada e injustiçada, é porque a mim se reserva um tratamento que não se reservou a ninguém”, disse.

Com a população dividida, o futuro do país está nas mãos do Senado, que vai decidir sobre a continuidade de Dilma. Na segunda (25), será eleita a comissão que vai avaliar os documentos enviados pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha. A previsão é a de que a votação em plenário aconteça em até 20 dias.

Em entrevista à Metrópole, o senador Humberto Costa (PT-PE) falou sobre as traições a Dilma na Câmara. “A história vai se encarregar de dizer quem foi quem. É um golpe, porque temos uma constituição que diz que o impeachment existe para crimes de responsabilidade. Dilma é acusada de infrações administrativas. Bastaria que o Tribunal de Contas dissesse que o que foi feito não poderia ser feito mais”, falou.

Ao longo desta semana, a Metrópole ouviu outros senadores de situação e oposição sobre o futuro de Dilma. Confira:

Celso de Mello: chamar processo de golpe é equívoco

O decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello, afirmou que chamar o impeachment de Dilma de golpe é um equívoco. “O Congresso Nacional, por intermédio da Câmara dos Deputados, e o Supremo Tribunal Federal deixaram muito claro que o procedimento respeitou todas as fórmulas estabelecidas na Constituição. O procedimento de apuração da responsabilidade política é constitucional e o exercício deste poder que o ordenamento jurídico dá aos cidadãos — porque uma denúncia contra qualquer presidente da República só se inicia com uma acusação popular feita por cidadãos, vale dizer, por eleitores — até agora transcorreu tudo em perfeita ordem”, declarou a jornalistas.

Para Lídice, agenda do PMDB no governo será “madrasta dos trabalhadores”

A possibilidade de o vice-presidente Michel Temer (PMDB) assumir a presidência tem tirado o sono de parte da população e de senadores da oposição, que não apostam no peemedebista para solucionar os problemas políticos e econômicos do país.

De acordo com a senadora Lídice da Mata (PSB), o vice não conseguirá dar conta do recado. “Em todos os partidos e lideranças, existem pessoas que divergem desse processo. Não há uma agenda nacional. A agenda de Temer, controlada pelos empresários, é absolutamente madrasta do direito dos trabalhadores”, ressaltou.

“Seria preciso alguém que criasse uma agenda que fosse negociada entre trabalhadores e empresários. Temer não terá condições de fazer isso”, concluiu Lídice.

Aloysio Nunes: “Crise pior que a de 1929“

Já para o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), a saída de Dilma é a melhor alternativa para resolver os problemas do Brasil. O senador chegou a comparar a recessão econômica atual do país com a Grande Depressão de 1929.

“Ela cometeu, sim, crime de responsabilidade. Estamos vendo a crise econômica, talvez pior que a de 1929, com gente desempregada e corrupção generalizada”, opinou o senador.

Para Nunes, a presidente é incapaz de apresentar uma proposta de mudança. “Quando a Câmara decidiu pela instalação do processo [de impeachment], isso representou o fim do governo. A maneira como aconteceu foi avassaladora”, afirmou.

Aécio: “Temer é a continuidade da paralisia”

Derrotado por Dilma nas eleições de 2014, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) acredita que a presença de Michel Temer no poder não será solução. “Tenho muitas dúvidas sobre Temer. Seria a continuidade da paralisia com a Dilma. A saída da presidente pela via constitucional pode nos dar a condição de construir um pacto por uma agenda, e o PSDB tem a responsabilidade de criar uma política externa em favor do Brasil, a qualificação dos agentes públicos e uma reforma tributária. Não vamos virar as costas ao Brasil. O presidente Temer deve se remeter a isso”, afirmou.

Segundo Aécio, a história dá a Temer “uma oportunidade extraordinária de virar a página”. “Não somos beneficiários do impeachment. Disputamos a eleição e perdemos. O impeachment não nos coloca como beneficiário político. Não vamos fugir à nossa responsabilidade”, completou.

Agripino: “PT pôs governo no buraco”

Presidente nacional do Democratas, o senador Agripino Maia comemorou a passagem do processo de impeachment na Câmara e apostou na aprovação no Senado. “Demos um passo importante no aplanamento das coisas. Definimos os membros [da Comissão Especial do Impeachment]: o PMDB vai indicar os cinco nomes e todos os outros partidos vão indicar os outros. Nunca vi uma crise nesta profundidade. A perspectiva do Brasil é de a dívida crescer R$ 30 bilhões por ano. Dilma perdeu qualquer capacidade de governar. Quem meteu o governo no buraco foi o PT”, opinou.

O senador disse ainda que a estratégia de Dilma tem sido “se vitimizar”. “Já conversei com Temer. Nosso partido fechou questão e vai dar 100% de votos ao impeachment, mas não queremos nada em troca. Só pedi que ele escolhesse os melhores para compor o Ministério”, disse.

Fonte: Metro1

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