Ladrões armados fazem reféns em clínica na Pituba

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Torcidabahia.com

Um deles exigiu presença da imprensa e da mãe para se entregar

Três ladrões invadiram uma clínica dermatológica na Pituba, na Av. Paulo VI, e assaltaram pacientes na tarde desta quinta-feira (18). Sob ameaça com arma, um dos clientes foi feito de refém. Dois dos bandidos fugiram de carro depois que um segurança, ainda desconhecido, fez um disparo. O terceiro assaltante foi cercado pela Polícia Militar na saída da clinica. Este fez a vítima de refém e só se entregou depois de meia hora de negociação com a Polícia Civil.

De acordo com a delegada Maria Selma Lima, titular da 16ª Delegacia (Pituba), o assaltante Hélder Silva Rosa, 29, exigiu a presença da mãe e da imprensa para se entregar. A mãe, que é empregada doméstica no Itaigara, foi levada ao local. “Eu me comprometi a preservar a integridade dele e levei a mãe para facilitar a negociação. Como fui delegada no Nordeste de Amaralina, eu já o conhecia de outras práticas, pois ele já tem 11 passagens por práticas de roubo, então o convenci a jogar a arma e deu tudo certo”, relatou a titular.

Dois dos suspeitos foram presos em flagrantes (Foto: Hilza Cordeiro/CORREIO)

Hélder foi deixado para trás pelos comparsas e ao perceber a chegada da polícia tomou o motorista Jorge Farias, 46, como refém porque acreditou que ele seria um policial. O assaltante levou a vítima até a porta da clínica e ameaçou matá-lo caso a mãe e a imprensa não chegassem. “Primeiro, ele chegou gritando que era um assalto e foi pegando os pertences de todo mundo. Na saída, ele colocou a arma no meu pescoço. Eu fiquei muito calmo. Nessas horas, o nervosismo só piora. Eu e o assaltante nervosos não ia prestar”, contou ao CORREIO. O celular, a corrente de metal e carteira do motorista foram levados.

O filho da comerciante Isbela Alencar, 50, foi uma das vítimas. Ela correu até o local para entender o ocorrido, mas a rua já estava interditada por causa do crime. “Quando eu soube, eu entrei em pânico. Ele saiu da faculdade e eu de casa, a gente ia se encontrar aqui, mas ele chegou primeiro. Não consegui entrar, então liguei para ele e ele me disse que estava escondido no banheiro com duas senhoras”, contou.

Além dos funcionários, mais de dez pacientes estavam na clínica Cedermes no momento do assalto. De acordo com a delegada, o trio foi até a Pituba para pegar um veículo que tinha sido roubado, um Fox preto, para cometer roubos. Ao chegar no local, eles avistaram uma mulher “aparentemente rica”, com uma bolsa de marca de luxo e decidiram assaltar a clínica. Os assaltantes foram recolhendo as bolsas, celulares, carteiras e joias das pessoas.

Violentos

Insatisfeitos, eles arrombaram as portas dos consultórios em busca de mais. A médica Maria Luiza Pinheiro, sócia da clínica, estava em um dos consultórios quando ouviu um barulho vindo da sala. Segundo ela, eles gritavam que iam ‘acabar com a cabeça de todo mundo’ e que iam esfacelar todos. “Eu saí para ver e um deles já veio na minha direção. Então eu voltei e tentei fechar a porta. Aí ele empurrou com tudo e bateu no meu rosto. Ele puxou a corrente do meu pescoço, eu logo entreguei o celular”, narrou. A pancada deixou um ferimento próximo a sobrancelha.

O rosto é uma área bastante vascularizada, então sangrou muito. Foi um susto muito grande, disse ela. A filha da médica soube do caso pela mídia e chegou correndo ao local. Muito preocupada com a mãe, ambas se abraçaram e choraram. Eles tentaram invadir o segundo consultório, onde outro médico atendia pacientes. Eu consegui fechar a porta e escondi meus pertences, mas a porta tá estragada, não fecha direito, contou. A clínica decidiu suspender as atividades por hoje.

Clínica decidiu suspender as atividades nesta quinta-feira (Foto: Almiro Lopes/CORREIO)

Preso na contramão

Os dois assaltantes que conseguiram fugir acabaram chamando atenção da polícia porque estavam dirigindo na contramão na Rua das Hortênsias, mesma rua onde fica a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). O assaltante Carlos Teótulo Silva Portugal, 34, abandonou o carro e tentou fugir numa moto, mas foi capturado. No Fox, a polícia recuperou várias bolsas roubadas.

Passagens

Os dois presos hoje são bastante conhecidos da polícia, com várias passagens em delegacias. De acordo com a delegada, Carlos possui sete passagens, a maioria por roubo, sendo duas delas em Feira de Santana. Ele também tem dois registros por agressão no Carnaval. Já Hélder tem mais de 10 passagens e sete inquéritos policiais. De acordo com a mãe dele, a empregada Vera Lúcia Silva, 46, ele havia lhe dito que ia sair para entregar currículo. Segundo ela, ele trabalhava como garçom e estava desempregado há um ano.

Hélder Rosa fez um cliente de refém (Foto: Alberto Maraux/SSP)

À polícia, Hélder disse que roubou para ajudar a comprar um remédio para um irmão que sofre de mucopolissacaridose, uma doença crônica. Segundo o assaltante, há seis meses o governo federal não distribui o medicamento. A mãe disse que o Hélder ajudava a tomar conta do irmão que tem 17 anos, levando-o todas as sextas-feiras para tratamento médico.

Como ele não tem mobilidade e já é grande, era ele que me ajudava a carregar. Eu não sei o que eu vou fazer da minha vida se ele ficar preso porque ele era meus pés e minhas mãos. Sei que ele tem medo de o irmão morrer, mas não justifica. Espero que ele aprenda e pare para pensar no que fez. Eu sou uma mãe maravilhosa, eu faço tudo o que eu posso, desabafou. Vera Lúcia trabalha há 20 anos como empregada doméstica e ajudava Hélder a sustentar dois filhos.

Carlos fugiu no Fox preto e foi preso na rua da delegacia (Foto: Alberto Maraux/SSP)

 

Fonte: Correio da Bahia

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